sábado, 26 de maio de 2012

Mãe com Meningite #1

Jornal Viva Brasil
Pois é, não esqueci o blog, não desanimei, apenas a vida me atropleou com uma de suas surpresas e fui obrigada a me retirar da sociedade por quase duas semanas. Essa é a primeira parte do meu relato sobre a Meningite, doença que fui acometida.
Quem é mãe sabe a correria que é o dia-a-dia, corre atrás do filho, arruma as coisas, faz comida, lava louça, roupa, enfim, é uma jornada dupla e eu ainda faço questão de gastar um bom tempo com meu filho. O fato é que desde que virei mãe, acabei esquecendo completamente de mim. Eu já vinha tentando melhorar isso, mas mudar certas coisa são difíceis, não?! Apesar da vida mais regrada que andamos tendo, eu acabei descuidando, e muito, da minha saúde. Raramente almoçava, deixando para comer no horário do meu intervalo uma fruta ou algum outro lanche que eu levava ao trabalho.
No último feriadão tivemos uma virada no tempo que amei, mas confesso que meu corpo sofreu um pouco e acabei me resfriando nessa semana. Nada demais, um resfriadinho mesmo, um dia de muito cansaço e nariz entupido. Besteirinha. Depois desse resfriadinho veio uma dor de cabeça insulportável, junto com uma dor no pescoço e ombro.
Fui ao PS em uma terça-feira, pois a dor estava muito forte, passei na otorrino, relatei o acontecido, tomei medicação na veia e tirei uma chapa da face do rosto. Não tinha nada, nenhum sinal de sinusite, tudo limpinho. Como eu já estava investigando uma dor que sentia no ombro, a médica achou  que poderia ser algum problema de coluna. Já tinha feito uma ressônancia magnética que ficaria pronta na quinta-feira.
Lembro que terça e quarta fiquei com muita dor, na quinta-feira a dor deu uma acalmada. Peguei o resultado da Ressonância Magnética e constou uma hérnia de disco na cervical, entre a C5-C6. Pronto, já havia identificado minhas dores, agora era só esperar a consulta com o ortopedista que estava marcada pro dia 22/05. Passei o resto da semana bem, mas sentindo um desconforto muito grande no pescoço, sábado arrumei algumas coisa pro domingo de dia das mães, que foi na minha casa.
Domingo acordei com dor de cabeça. Abri os olhos e lá estava a dor de cabeça. Meu marido trabalhou, eu tinha que fazer um monte de coisas pro almoço e cuidar de uma criança. Só consegui ficar deitada, simplesmente não conseguia ficar de pé de tanto que doia. Ainda bem que a família ajudou meu marido, pois eu passei o domingo no quarto. A dor era tanta que a sensação que tive foi de estar dopada, não lembro de muita coisa. A noite, fomos ao São Camilo, passei no ortopedista munida do resultado da minha ressonância. O que ele disse? Você tem que procurar um ortopedista de coluna. Deu uma medicação na veia, que não ajudou em nada e voltei para casa.
Segunda as dores estavam piores (e eu achando que não podiam piorar), eu chorava de dor! Nem me atrevi acordar o Breninho, passei a manhã toda deitada, só acordei ele às 11h30 da manhã para arrumá-lo para escola. Com muita força, eu o arrumei para escola, dei almoço e liguei para minha mãe, pois eu não conseguiria levá-lo à escola. Ele ficou assustado, pois eu chovara muito de tanta dor. Minha mãe o levou e ficou ligando para diversas clínicas ortopédicas para conseguir uma consulta de emergência para mim. Conseguiu uma na Clínica Jardim França. Enquanto isso, comecei a sentir muito frio com dores da lombar e na perna, isso eu conheço, estava ficanndo com febre.
Fomos ao ortopedista, detestei! O médico pareceu completamente desinteressado, falou que eu não tinha nada na coluna, que eu tinha só uma dor muscular. Quando minha mãe falou que tinha aparecido febre, ele simplesmente virou e falou, não cuido disso, ela tem que passar no clínico. Epa, epa, epa. Será que a faculdade de medicina não forma mais clínicos? Pelo que sei, antes de ser ortopedista, ele é clínico. Enfim, deixamos para lá e eu continuei com minha dor, com a febre que não abaixava e passei o resto da tarde deitada. Quando meu marido chegou, fomos ao São Camilo de novo, dessa vez com o clínico. Eu achava que era um baita de uma sinusite.
Na triagem já deram preferência para mim. A médica chamou logo, me examinou. Disse que ia me medicar para tirar dor, faria exames de sangue e uma tomografia. Caso a tomografia não desse nada, eu faria uma punção. Foi aí que eu me toquei do que ela desconfiava… Foram horas na observação do PS, eu só agradecia por estar deitada. Os exames de sangue estavam alterados, tomografia ok, então colheram o meu líquor. Esse primeiro exame não foi muito dolorido. Mas o médico que colheu bateu o olho e já falou, ela está com meningite. Meu marido fez algumas perguntas, não lembro  bem quais, mas o médico falou que o líquido estava turvo e parecia uma meningite bacteriana. Logo me isolaram, mas ainda na observação. Teríamos que esperar mais 3 horas pro resultado oficial do exame.
Agora eu tinhas duas preocupações na minha cabeça: meu filho e meus 140 alunos.